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Luis Barbieri e Bettina Barros estiveram na China em agendas distintas – acadêmica e empresarial.   

Nas conversas com representantes da cadeia de soja e proteína animal, chamou a atenção uma mudança de perspectiva: a dependência chinesa da soja brasileira, pouco presente nas discussões de cinco anos atrás, tornou-se uma preocupação explícita. Alternativas para a alimentação animal e novas fontes de proteína já estão em debate, embora os caminhos ainda não estejam definidos. 

No simpósio Brazil-China Forest and Nature Symposium, em Hangzhou, organizado pela UNEP, IPAM e Universidade de Jiliang, apresentamos nossa visão de transição tropical como parte da discussão sobre descarbonização das cadeias produtivas e a rastreabilidade. 

No World Agrifood Forum (WAFI), em Pequim, as prioridades discutidas para o próximo plano quinquenal incluem descarbonização, rastreabilidade e bioinsumos. Estes ainda não parecem disseminados na produção agrícola chinesa, mas há forte investimento em pesquisas de segunda geração, incluindo metabólitos e microrganismos geneticamente modificados. Nas estufas de produção de vegetais da universidade, a presença maciça de sensores permite acompanhar os principais indicadores de crescimento das plantas. 

A compostagem é outra aposta estratégica. Com a meta de reduzir em 50% o uso de fertilizantes sintéticos até 2040, a China vem ampliando os investimentos no setor. O número de empresas de compostagem passou de 1.580, em 2007, para 3.565, em 2023. Uma das tecnologias que conhecemos durante a visita, desenvolvida pela empresa Voto, utiliza reatores, tambores e inoculantes para acelerar a decomposição de esterco bovino – o fertilizante fica pronto para uso agrícola em 30 dias, contra os três meses da maioria dos casos. A tecnologia deverá chegar ao Brasil por meio de uma parceria com a Universidade de Brasília (UnB). 

Outra frente relevante foi a tecnologia. Em Shenzhen, foram conhecidas aplicações de inteligência artificial e robótica com potencial para automatizar o manejo agrícola, inclusive o controle de plantas espontâneas, um dos grandes desafios da agricultura orgânica tropical. A rápida evolução das baterias, a eletrificação de equipamentos pesados e os avanços dos drones agrícolas também chamaram a atenção. Na visita à DJI, destacaram-se equipamentos cada vez mais precisos e acessíveis, com aplicações promissoras para os bioinsumos, mas também novos desafios regulatórios relacionados à pulverização de agrotóxicos. 

A visita à Embaixada do Brasil em Pequim reforçou outra percepção: embora o país tenha uma representação robusta e qualificada, a transição para uma agricultura tropical regenerativa ainda não ocupa espaço proporcional ao seu potencial na agenda bilateral. Há uma oportunidade de posicionar o Brasil como referência em um novo modelo produtivo, com tecnologias e produtos de maior valor agregado. 

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